| Mostra
individual do artista paulista Alex dos Santos
A Galeria Pontes exibe obras do artista Alex
dos Santos em parceria com a Galeria Brasiliana
e com o apoio de Sagatiba
A Galeria Pontes e a Galeria Brasiliana, ambas
referência na arte popular, apresentam
a mostra individual do artista paulista Alex
dos Santos. Trata-se da revelação
ao mercado de São Paulo de um grande
pintor, como há muito tempo não
se via no cenário da Arte Popular Brasileira.
Visitação: de
3 de setembro a 9 de outubro 2010 - de 2ª
a 6ª feira, das 10 às 19 horas e
sábados das 10 às 17 horas.
Local: Galeria Pontes.
Acesso a portadores de necessidades especiais
- Estacionamento interno para 10 vagas.
Alex dos Santos
Fazia mais de 30 anos que não despontava
entre nós um pintor popular notável.
A pintura popular brasileira de qualidade acabou
reduzida a poucos expoentes, com o desaparecimento,
já neste século, de Ranchinho,
no interior de SP, Babalu, em Salvador, BA e
mais recentemente Antonio Poteiro, em GO, que
além de grande nos pincéis, era
nosso mestre maior na cerâmica, ao lado
de Vitalino. Poucos permanecem ativos na atualidade,
pois circunstâncias de mercado acabaram
por restringir a pintura a criadores surgidos
nos anos 70, na esteira de uma tradição
que remonta a meados do século passado
e inclui Chico da Silva, José Antonio
da Silva, Mirian, Julio Martins da Silva, Agostinho
de Freitas, Bajado, Heitor dos Prazeres, Maria
Auxiliadora e outros, fazendo da pintura popular
do país uma das mais respeitadas, profícuas
e significativas internacionalmente.
Nascido no interior de São Paulo em 1980,
Alex vem de família humilde e manifestou
seu pendor artístico desenhando desde
pequeno. A tal ponto que aconselharam os pais
a matriculá-lo num estabelecimento de
ensino especializado para que desenvolvesse
essa inclinação. O objetivo era
ensinar a ele técnicas de aprimoramento
artístico, de modo que se tornasse um
profissional e pudesse ter sucesso na vida.
Mas Alex contrariou a todos, ao não alterar
um inarredável estilo que nada tinha
a ver com o padrão acadêmico proposto
no aprendizado. Todos os esforços foram
em vão: o rapaz não tinha jeito
mesmo e continuou a registrar --- em caixas
de papelão, restos de encerado, tudo
o que caía em suas mãos --- umas
figuras inusitadas e uns assuntos da cabeça
dele, que se assemelhavam mais ao trabalho dos
grafiteiros, do que ao dos paisagistas e pintores
de naturezas mortas. Ao assistir a um leilão
em SP, surpreendi-me com a originalidade e a
singeleza de uma de suas telas. Ainda com algumas
imperfeições, mas reveladora de
um estilo já definido, expressivo e vigoroso,
aguardando apenas ser lapidado. Faz cerca de
2 anos que acompanho o trabalho de Alex dos
Santos e agora sinto que ele está pronto.
A agilidade prodigiosa do desenho, a autenticidade,
a ausência de fórmulas, a imaginação
solta, e sobretudo a coragem artística
desse moço arrebatam e comovem.
Está desabrochando um dos grandes nomes
do nosso patrimônio artístico atual.
Podem escrever.
Texto de Roberto Rugiero, julho 2010.
|