Nino, criador de estrelas do sertão

Sylvia Porto Alegre em seu livro “Mãos de mestre: Itinerários da arte e da tradição” mostra três fotografias de Maurício Albano eternizando Nino: A primeira imagem é por ela chamada de “Nino, a criação sem limites”, a próxima chama de “O estilo de Nino, uma marca pessoal” e, por fim, “Bonecos de Nino, Juazeiro do Norte”. O prefácio do livro é de Maria Isaura Pereira de Queiroz e foi editado em São Paulo pela Editora Maltese, em 1994. Sylvia é antropóloga, doutora pela USP, com tese voltada para o artesanato cearense e como que mapeou as manifestações artísticas do interior desse estado. O ponto de vista que essa pesquisadora adota é o de compreender as culturas populares a partir da ruptura com uma visão distorcida e folclorizante. E, fazendo isso, ela dá voz e vez aos produtores populares.

João Cosmo Felix, conhecido como Nino, foi um renomado escultor brasileiro nascido em 1920 em Juazeiro do Norte, Ceará, e falecido em 2002 na mesma cidade. Analfabeto, cortou cana-de-açúcar e trabalhou como ferreiro antes de dedicar-se à escultura em madeira. Começou sua arte fazendo brinquedos. Em seu expressivo trabalho surgem na madeira pássaros, elefantes, bois, macacos, cenas de rituais como casamentos e reisados, esculpidos em alto-relevo ou recortados na parte superior do bloco original, que recebe uma pintura em que certas cores – rosas, azuis, vermelhos, verdes, amarelos -, temperadas e regidas por Nino, constituem-se em uma extraordinária galeria de estrelas do sertão.